Em "Tempos de psicanálise" pretendemos divulgar notícias, textos, eventos e temas variados que promovam a discussão da psicanálise. Pretendemos valorizar a tradição da psicanálise e conectá-la às produções simbólicas do mundo atual de modo a afirmar a continuidade do discurso analítico.
sábado, 16 de outubro de 2010
Trabalhos do II Encontro Nacional
Logo abaixo está o link para acessar os trabalhos.
http://www.corpofreudiano.com.br/site_flash/eventos/2encontronacional/trabalhos/Trabalhos_indice.pdf
II Encontro Nacional do Corpo Freudiano
14, 15 e 16 de outubro de 2010
LOCAL: Centro de Estudos de Pessoal, Forte Duque de Caxias, Leme
Rio de Janeiro, Praça Almirante Júlio de Noronha
Um evento de CONVERGENCIA: APRÈS-COUP PSYCHOANALYSIS ASSOCIATION | CORPO FREUDIANO ESCOLA DE PSICANÁLISE | INSISTANCE | NODI FREUDIANI | $EMINÁRIO PSICOANALITICO
“Hieróglifos da histeria, brasões da fobia, labirintos da
Zwangsneurose; encantos da impotência, enigmas da inibição,
oráculos da angústia; armas eloqüentes do caráter, chancelas
da autopunição, disfarces da perversão – tais são os
hermetismos que nossa exegese resolve, os equívocos que nossa
invocação dissolve, os artifícios que nosso discurso absolve,
numa libertação do sentido aprisionado que vai da revelação do
palimpsesto à palavra dada do mistério e ao perdão da fala.”
Jacques Lacan
Em 1886, o jovem Freud retornou de seu estágio com o mestre Charcot em Paris com seus interesses clínicos profundamente modificados: a histeria passa a ocupar o primeiro plano de sua investigação e a descoberta do inconsciente que se sucede deriva de sua clínica com a histeria. A psicanálise começa assim pela abordagem da
histeria, vindo em seguida a tratar também de seu dialeto, a neurose obsessiva, e das fobias. Por isso escolhemos como tema desse encontro a clínica da neurose que se constrói a partir do sujeito do desejo – falta que o move –, com seus significantes fundamentais: histeria, obsessão, fobia. Se a abordagem psicanalítica da histeria é inovadora em relação aos quadros em que esta se inscreveu durante séculos, no momento o organicismo dominante na psiquiatria erradicou-a – e ao sujeito – de suas classificações. Restaram supostos transtornos orgânicos para os quais se propõe de forma indiscriminada tratamentos medicamentosos espetaculares e terapias comportamentais simplistas, que prometem o impossível: curar a ferida de sermos humanos – dependentes, carentes, sugestionáveis – e, por tudo isso, também maravilhosamente criativos e surpreendentes. Isso não impede as neuroses de continuarem existindo, acrescentando novas roupagens às antigas, que envolvem inclusive a caracterização acentuada de velhos “novos sintomas”: anorexia, bulimia, obesidade, pânico, depressão, bipolaridade, variadas versões nas quais operam modos singulares de lidar com a falta. Esta vem então se configurar como falta de objeto – algo ou alguém –, num período marcado pelo consumismo inerente ao capitalismo. Objeto esse que tem na imagem corporal uma referência privilegiada, abrindo assim um campo fecundo para manifestações histéricas, onde o corpo está sempre em evidência, hiperinvestido como via de salvação frente à inconsistência da experiência humana. O sintoma para a psicanálise é uma bússola, através dele o sujeito encontra expressão, e, embora fonte de sofrimento, constitui seu maior patrimônio. O sintoma não constitui degeneração nem defeito, mas mensagem simbólica enviada ao Outro por meio do real do corpo – ao mesmo tempo expressão cifrada do conflito e ganho de gozo. Fruto da fantasia, o sintoma é, tal como ela, amálgama de linguagem e gozo, inconsciente e pulsão, interdição e satisfação. Com freqüência, ele implica num custo elevado e só se mostra reversível pela reorganização simbólica das forças em jogo, jamais pela supressão do sujeito em prol de uma normalização que nega a diferença que o singulariza. A ética da psicanálise almeja o bem-dizer o sintoma de modo a trazê-lo de volta ao campo da linguagem, ela opera na contracorrente da objetivação contemporânea do sujeito.
Coordenação geral:
Denise Maurano
Heloneida Neri
Marco Antonio Coutinho Jorge
Comissão local:
Ana Augusta Brito Jaques
Eliana Luiza dos Santos Barros
Comissão Nacional:
Alinne Nogueira Coppus - Juiz de Fora
Érika Almeida - São Luis
Germano Costa - Campos
Lavinia Carvalho Brito Neves - Barra Mansa
Magno Alves - Teresina
Mônica Marques - Imperatriz
Ronald de Paula Araujo - Fortaleza
Vera Fragoso – Macaé
Comissão científica:
Coordenação: Sonia Leite
Denise Gondim
Edna Santos
Elizabeth Juliboni
Francisco Lamartine Pinho
Laéria Fontenele